Espaço numérico digital destinado à circulação de informações culturais e de idéias provenientes de pessoas e dos afins dos descendentes físicos ou do pensamento de Mathias Simon (*05.05.1788 –+16.04.1866) e que ele materializou, em 1829, na migração com a sua família para a América.

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domingo, 21 de novembro de 2010

Em DIA com a CULTURA dos SIMON – 09



O registro de uma visita,  em 1834, à colônia São Leopoldo
[antes da Revolução Farroupilha]

 Arsène Isabelle (1807-1888)[1], francês de origem e fixado no Rio da Prata, visitou a Colônia Alemã um ano antes da Revolução Farroupilha. Ele escreveu esta visita e a publicou na Europa em 1835[2]. Por meio deste relato escrito é possível avaliar a vida do patriarca Mathias Simon neste Novo Continente.  Consta ali o cenário que enfrentava nos seus primeiros anos, nesta colônia e o panorama das suas idas e vindas neste meio.


[2]  ISABELLE. Arsène (1807-1888)[2], - Viagem ao Rio da Prata e ao Rio Grande do Sul tradução e nota sobre o autor Teodomiro Tostes; Introdução de Augusto Meyer [2ª reimpressão] Brasília : Senado Federal 2010 , XXXI p. + 314 p.( Ed. Senado Federal v.61)


Fig. 01 – ArsèneA Isabelle ( Havre, *1807 +1888 ) foi um comerciante, diplomata, jornalista e naturalista francês.Viajou através da Argentina, Brasil e Uruguai, entre 1830 e 1835. Participou da primeira expedição científica organizada pelo "Museu Nacional de História Natural e Antropologia" do Uruguai junto com Bernardo Prudencio Berro  e Teodoro Miguel Vilardebó . Sua coleção de plantas, realizada entre 1838 e 1839, esta conservada no museu do Uruguai.

Arsène tinha 27 anos quando percorreu o Rio Grande do Sul. Ele também havia abandonada, no ano de 1829, a Europa (Havre-França) fixando-se em Buenos Aires e com negócios e pesquisas em Montevidéu. Entrou no Rio Grande do Sul pelo rio Uruguai. Visitou as ruínas das Missões Jesuíticas. Saiu de São Borja no dia 04 de fevereiro de 1834 para chegar a Rio Pardo no dia 20 de março deste ano.
Acervo da Galeria de Fotos do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Fig. 02 – CARRETEIROS
Arsène  escreveu que“essa caravana compunha-se de sete carretas, quatro cobertas e três descobertas, cada uma  puxada por oito  bois, e levando em tropa, para muda, mais trinta bois e oito cavalos. Além de mim e dos meus dois companheiros, o pessoal se compunha do tropeiro ou capataz, e de quatro arreadores, dos quais dois negros e um índio. O capataz e o outro arreador eram brasileiros. Íamos ora a cavalo,ora a pé, ora de carreta (Isabelle, 2010, p.201).
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Permaneceu em Porto Alegre de março até junho de 1834. No outono, na época das laranjas, levou uma noite inteira de navegação pelo rio dos Sinos e mais duas horas de caminhada para chegar até São Leopoldo.
“Depois de remar toda a noite,  o barco alemão no qual havíamos viajado parou num lugar chamado Três Portos. São simplesmente três clareiras no meio do mato, na margem esquerda, mais elevada, ali, do que nas outras partes. Já nos encontramos na colônia alemã. Desse lugar a São Leopoldo são apenas duas horas a pé, ao passo que seguindo o rio, para chegar ao verdadeiro porto, é preciso remar o dia inteiro. Preferimos ir a pé, caçando, a respirar por mais tempo as exalações fétidas de um barco coberto, provocadas por uma meia-dúzia de criadas e não sei quantas crianças, que comiam laranjas, bananas e outras coisas gostosas, de que a gente se satura rapidamente” (Isabelle, 2010, p.251).
Acervo da Galeria de Fotos do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Fig. 03 – São Leopoldo nos primórdios.

Ali se encontrou com o médico doutor João Daniel Hillebrand  com quem dividiu a sua própria curiosidade científica.
“Hamburguês de nascimento, dominando os idiomas francês e português e exercendo, há muitos anos, com sucessos, a medicina e a cirurgia, o doutor Hillebrandd conquistou a confiança dos habitantes da colônia, que têm por ele a maior consideração. É ele bem a merece certamente, pelos seus conhecimentos e por seus sentimentos tão humanos. O doutor Hillebrand, também, se ocupa muito da história natural, principalmente de ornitologia e entomologia. Adquiriu este gosto quase apaixonado quando acompanhou, durante muito tempo, o doutor Sellow. Mostrou-nos suas coleções, já numerosas, de pássaros, insetos e madeiras úteis, e também muitos objetos curiosos, tais como  armas de bugres, vasos, etc... Excelente desenhista, pintou uma coleção de lepidópteros da colônia. Fiquei encantado com a exatidão do desenho e a frescura do colorido desses lindos insetos” (Isabelle, 2010, p.253/4).

Contudo também os temas sociais, econômicos e do comércio dos povos eram-lhe caros. Leitor de Saint-Simon[1] sentia as causas da Revolução de 1830 e já se refere as idéias utópicas de um socialismo racional.


[1] Saint Simon [Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, 17601825),

Fig. 04 – Região colonial de são Leopoldo em direção à Serra Geral
Sob esta ótica descreveu a nova colônia como um experimento notável no seio da cultura luso-brasileira e que se havia mantido fechado ao longo dos séculos colônias.
“Pensamos estar na Alemanha. Não pude deixar de experimentar, à vista dessa povoação européia, um sentimento de admiração, pois fui imediatamente surpreendido pelo contraste que me ofereciam esses lugares cultivados com cuidado, esse caminhos abertos penosamente através das colinas, dos montes e das florestas, essas pequenas propriedades cercadas de fossos profundos ou sebes vivas, essa atividade dos agricultores e operários, rivalizando, de modo invejável, pela prosperidade comum, com o abandono absoluto no qual os brasileiros deixam suas terras, o mau estado de seus caminhos, suas choupanas em ruínas, enfim, essa falta de indústria, esse espírito perdulário e destruidor que os caracteriza, assim como os argentinos. Minha admiração não foi menos ao ver, quase sob o trópico, uma nação das regiões polares conservando hábitos, seus costumes, sua vida ativa, e dando origem a uma geração que deve um dia mudar a face do país”. (Isabelle, 2010, p.251/2).
Acervo da Galeria de Fotos do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Fig. 05 – Novo Hamburgo nos seus primórdios.

Como um arauto de era industrial, que estava revolucionado a Europa, percebia as possibilidades desta nova era.
“Outros alemães que possuem algum capital, formaram estabelecimentos mais ou menos importantes, como curtumes, destilarias, serrarias, olarias e outras fabricações tais como a de farinha de mandioca e de açúcar, que já produzem um bom rendimento para a colônia, sem falar nos benefícios das relações comerciais que a sua atividade mantém com Porto Alegre. A terça-feira de cada semana é o dia marcado para levara à capital os comestíveis e os produtos da indústria dessa pequena república”. (Isabelle, 2010, p.253).
Acervo da Galeria de Fotos do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Fig. 06 – São Leopoldo após a Revolução Farroupilha
Ao fundo, junto aos sobrados, um dos vapores cuja construção Isabelle previra em 1834 ao escrever (p.253) que em São Leopoldo “Já se formou uma sociedade de acionistas para a construção de uma ponte sobre o rio dos Sinos e já se fala em levantar edifícios públicos, abrir novas estradas, construir um barco a vapor”.

Contudo não deixava de reconhecer  a predominância e base da era agrícola e da diversidade rural
“A maior parte dos colonos alemães são agricultores. É distribuída entre eles uma porção mais ou menos considerável de terreno, com a obrigação de sua parte de baterem os matos e de cultivarem o lugar que ocupavam. Se há pastagens em torno de suas propriedades, reservam parte para a criação de vacas e a fabricação de manteiga e queijo, que vendem facilmente em Porto Alegre”. (Isabelle, 2010, p.253/4).
Acervo da Galeria de Fotos do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Fig. 07 – São Leopoldo- Atual Praça dos Imigrantes
O entusiasmo do jovem francês pode ser medido por uma das frases na qual percebe uma verdadeiro paradigma novo para o Brasil.
Minha admiração não foi menos ao ver, quase sob o trópico, uma nação das regiões polares conservando hábitos, seus costumes, sua vida ativa, e dando origem a uma geração que deve um dia mudar a face do país. (Isabelle, 2010, p.252).

A permanência de Mathias Simon nesta colônia e os sucessos dos seus descendentes deve-se ao pertencimento a este projeto coletivo ao qual deu a sua vida, o seu trabalho e os primórdios de  uma era industria.
Vale a pena ler  o restante do relato de Arsène. Neste relato é possível acompanhar a  descrição da paisagem natural da flora, da fauna e também pelas culturas humanas diferenciadas, existentes em São Leopoldo e que ele registrou nesta obra. De outra parte, em 1835, era uma das primeiras notícias na Europa que forneciam impressas e públicas desta epopéia do imigrante alemão e os êxitos que obtinham no seu projeto para abrirem fronteiras. Como consta na introdução (Isabelle, 2010, p.XX) de Augusto Meyer: “foi Arsène Isabelle o primeiro a prever a importância e a revelar aos meios interessados e existência de um núcleo colonial ativo e industrioso na Província”. Arsène conseguiu captar este projeto ainda na mentalidade de quem o estava tornando como próprio na realidade no mundo concreto e aqueles que o souberam receber este imigrante disposto a tudo. Ou como (Isabelle, 2010, p.252) registrou os alemães não recuam de nenhum obstáculo e a que palavra impossível já não  tem equivalente em sua língua como não tem na nossa”. Já no ano de 1835 começaria o decênio de provações destes limites e privações que acompanham qualquer revolução ou guerra, em especial aquelas fratricidas.
Contudo Arsène não nos abandona sem nos chamar para o presente com a responsabilidade moral e histórica de trazer para os dias atuais os feitos dos heróis do passado.
“A nova geração, que pretende a honra de figurar em letras brilhantes no livro dos imortais, deve ela mesma talhar a pena que registrará seus títulos à admiração das raças futuras” (Isabelle, 2010, p.273)
Se as obras e as ações  de Mathias, de Margarida Simon e dos seus filhos, não encontrarem eco e sentido no presente, estas obras permanecerão no passado por mais gloriosos que tenham sido e serão meras curiosidades anacrônicas. Os descendentes e os afins necessitam atualizar a vida, os trabalhos, as escolhas e as iniciativas de Mathias, de Margarida Simon nas suas próprias obras e nas ações presentes para retomar e para torná-las também surpreendentes e motivadoras da civilização.

ISABELLE. Arsène (1807-1888)[1], - Viagem ao Rio da Prata e ao Rio Grande do Sul tradução e nota sobre o autor Teodomiro Tostes; Introdução de Augusto Meyer [2ª reimpressão] Brasília : Senado Federal 2010 , XXXI p. + 314 p.( Ed. Senado Federal v.61)

MUSEU HISTÓRICO VISCONDE de SÃO LEOPOLDO

CRONOLOGIA de SÃO LEOPOLDO

Capas de livros sul-rio-grandenses

BRASIL-ALEMANHA

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Em DIA com a CULTURA dos SIMON – 08



A CULTURA do PERTENCIMENTO SOCIAL FORMADA ao REDOR de MATHIAS SIMON na NOVA TERRA.

Certamente uma identidade é positiva na medida de sua permanência no tempo, de sua reprodução e contribuições para o bem estar coletivo de uma nação.

Fig. 01 – O RITUAL  EXTERNO do CASAMENTO sempre foi a AMOSTRA PÚBLICA do ENCONTRO e PERTENCIMENTO das DUAS PARTES de CADA NOIVO com TODOS os MEMBROS de TODAS as IDADES .
 FOTO de CASAMENTO em MANEADOR SARANDI
Numa visão ampla da  colonização germânica, do Sul Brasil, pode-se falar numa fortuna e que não era fruto de um acaso. Certamente esta nova célula colonial deve esta fortuna tanto pela sua membrana como devido ao seu conteúdo vital. Conteúdo vital que foi numericamente suficiente para fazer face ao mundo externo e não correu o risco de se dissolver entre outras culturas como aconteceu em Nova Friburgo, No Espírito Santo e Maruim no Sergipe[1]. Esta persistência de identidade e reprodução de sua cultura é documentada por Augusto Meyer (2010, p.XIX)[2] ao realizar um paralelo com a cultura material e imaterial deixada pelo açoriano.
“A colonização açoriana, como a imigração suíça, encaminhada para Santa Leopoldina, Bahia e Nova Friburgo, Rio de Janeiro, não passavam de simples ensaios imigratórios [...] Talvez seja oportuno repetir as palavras de João Pinto da Silva: ‘Não só estes (os açorianos) não foram numerosos, como também a sua área de atividade ou disseminação foi relativamente pequena.. Das rudimentares lições de agricultura que nos deram, pouco frutificou. Isso por lado, o material; pelo outro, o intelectual, não consta hajam deixado traço algum durável’ ”
De outra parte, a membrana ao mundo externo, foi suficientemente permeável para iniciar trocas significativas com o meio externo e sem se isolar dele.



[1] - Veja notícia dos alemães no Sergipe em  http://www.maruim.se.gov.br/noticias.asp?codnot=8   O prof , José Edgar Mota Freitas da Universidade Federal do Sergipe  organizou a memória de Ernst Schram e Adolphine Jencquel na edição bilíngüe  sob o título de “Cartas de Maruim  veja mais em http://jorge.carvalho.zip.net/arch2005-12-04_2005-12-10.html  
[2] -  MEYER, Augusto -  introdução  ISABELLE. Arsène - Viagem ao Rio da Prata e ao Rio Grande do Sul tradução e nota sobre o autor Teodomiro Tostes; Introdução de Augusto Meyer [2ª reimpressão] Brasília : Senado Federal 2010 , XXXI p. + 314 p.( Ed. Senado Federal v.61)


Origem da imagem:  Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli- MARGS
Fig. 02 - O KERB na COMUNIDADE SEMPRE foi a EXPRESSÃO MAIOR, INTEGRADORA do  PERTENCIMENTO do INDIVIDUO á sua COMUNIDADE, INTERNA e EXTERNA – COMO É POSSIVEL VER nesta IMAGEM - e FORTE MOTIVADOR do TRABALHO INDIVIDUAL e COLETIVO[1] - Pintura de Pedro WEINGÄRTNER ( 1853-1929)
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Antes da Revolução Farroupilha a população de origem alemã chegava as 10% da população desta Província do Império, conforme consta em  Arsène Isabelle (2010, p.261)[2]:“Em 1834 , calculava-se a população total da Província em 160.00 habitantes, sendo que os alemães representavam um décimo deste total. Só a nova Colônia de São Leopoldo contava oito mil
De um lado a cultura germânica, origem deste imigrante,  evoluiu rapidamente para outros caminhos após a aventura napoleônica. A Alemanha tomou uma identidade própria partir da industrialização capitalista , visível na sua unificação por Bismark e o silenciamento das identidades regionais germânicas. De outro lado a cultura luso-brasileira que acolheu este migrantes deu todas as demonstrações de compreensão e ajuda aos recém chegados.


[2] -  ISABELLE. Arsène - Viagem ao Rio da Prata e ao Rio Grande do Sul tradução e nota sobre o autor Teodomiro Tostes; Introdução de Augusto Meyer [2ª reimpressão] Brasília : Senado Federal 2010 , XXXI p. + 314 p.( Ed. Senado Federal v.61)




Fig. 03 - A ESCOLA da COMUNIDADE SEMPRE foi a INSTITUIÇÃO INICIADORA e CONTRATUAL, DESTINADA à INICIAÇÂO aos RITUAIS NECESSÀRIOS ao PERTENCIMENTO ADEQUADO da NOVA GERAÇÃO à COMUNIDADE que MANTINHA esta ESCOLA.

Contudo no centro desta fortuna de se fixara e criara raízes na nova terra, deve aos processos sociais de pertencimento à sua identidade e os reforços no meio dão eventuais fracassos e caos primordial de uma terra desconhecida que estava enfrentando.
Fig. 04 - FOTO de CASAMENTO em MANEADOR SARANDI


No aspecto da transcendência mantinham as suas crenças por meio das suas igrejas,  lojas maçônicas  e as escolas específicas. Como alfabetizados mantinham e produziam a sua literatura, os jornais e os almanaques apoidos pelo comércio e indústria emergente. No aspecto social estes esforços continuaram nos seus bailes, festas e esporte coletivo. No aspecto econômico as suas rudimentares organizações evoluíram do apoio recíproco - avulso e espontâneo - até as 1ªs cooperativas agrícolas. Evidentemente para vencer os desafios práticos, há necessidade de considerar a lógica na infra-estrutura e aporte de tecnologias, de ofícios e de fazeres elaborados e coerentes.
 
Fig. 05 – A CASA INICIADA por MATHIAS SIMON é a EXPRESSÃO MATERIAL da CULTURA do PERTENCIMENTO SOCIAL FORMADA ao REDOR DELE na NOVA TERRA na
CAPELA ROSÁRIO SÂO JOSÉ do HORTÊNCIO.

Um fator material e objetivo é o trabalho em comum, ainda que disperso em diversos ofícios. Assim a Colônia de São Leopoldo contava com o trabalho dos mais diversos ofícios, que além do estímulo moral recíproco representava uma base de tocas necessárias e de conhecimentos e reconhecimentos mútuos.  Assim Arsène  Isabelle escreveu em relação à colônia alemã de São Leopoldo que visitara em 1834 publicou no Havre em 1835 que
ma” . Havia, então, em São Leopoldo, cerca de cento e cinquenta casas de madeira e tijolo, onde vivia uma população de uns mil habitantes, a qual deve aumentar progressivamente, uma vez que a vila não contava mais que cinco anos de fundação. É habitada, principalmente, por artífices alemães, tais como marceneiros, ferreiros, carpinteiros, cordoeiros, alfaiates, seleiros, latoeiros, etc.; e por proprietários de botequins, armazéns e lojas, tanto alemães como estrangeiros.
Detalhe de foto de Dieego Carraro  PANORÂMIO GOOGLE EARTHro
Fig. 06 – A PONTE SEMPRE foi o TRAÇO de UNIÂO entre COMUNIDADES e INDIVÍDUOS, DIANTE DE OBSTÁCULOS COMUNS, AMOSTRA do TRABALHO de PROFISSIONAIS ORIENTADOS por TECNOLOGIAS INTEGRADAS para um FIM ESPECÍFICO e COLETIVO. PONTE entre JOSÉ de HORTÊNCIO e  PRESIDENTE LUCENA – RS.
Pode-se argumentar que eram trabalhadores e trabalhos urbanos. Contudo, se percorrermos hoje a região agrícola e colonial, visitada por Arsène, iremos notar, ao longo das estradas vicinais, mesmo as mais remotas, os trabalhos e as obras destes profissionais em numerosas construções residenciais, comerciais, viárias e religiosas de época, isto sem contar aquelas sujeitas as deteriorações imediatas.
PANORÂMIO GOOGLE EARTHro
Fig. 07 – AMOSTRA - numa das NUMEROSAS RESIDÊNCIAS URBANAS e RURAIS – RESULTADO da INTERVENÇÃO INTEGRADA de VÁRIOS PROFISSIONAIS Casa residência Wild Ferraz – Vera Cruz 1912

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Em DIA com a CULTURA dos SIMON – 07

A MESA de MATHIAS SIMON e os FRUTOS da NOVA TERRA.
Fig. 01 –  Os frutos da terra nova
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A cultura de um povo e de uma civilização materializa-se na sua mesa. A mesa sul-rio-grandense está em franca constituição. Contudo é possível destacar as mesas do CAFÉ COLONIAL, do CHURRASCO e do GALETO com VINHO. Originárias de três etnias distintas, estes pratos são oferecidos simultânea, ou sucessivamente, ao longo de  momentos de hospitalidade, de um evento ou de um dia especial.

CAFÉ COLONIAL

Hoje o CAFÉ COLONIAL é um dos grandes atrativos do turismo receptivo do Rio Grande do Sul. Nascido na intimidade dos lares dos colonos, que procuraram esta parte do mundo, ele representa a abundância dos frutos da terra e continua sendo a expressão deste universo, na medida que ele é autêntico.
Círio SIMON
Fig. 02 –  A hora do intervalo e café na roça

Evidente que o CAFÉ COLONIAL foi apropriado pela indústria cultural do turismo e apresenta deformações na medida destas mediações econômicas. Pode-se dizer o mesmo das churrascarias gaúchas.
No caso do CAFÉ COLONIAL ele teria revelado o seu potencial e a sua face econômica na Rodoviária do Morro Reuter
“Morro Reuter é o berço do café colonial, na época em que ainda era distrito de São Leopoldo deram fama nacional ai café com dezenas de iguarias cada vez mais sofisticadas. [..] Junto com as xícaras e bules, vinham para a mesa de pães de trigo e milho, roscas de polvilho, cucas, queijo, lingüiça, morcilha, queijo-de-porco, nata, requeijão, mel, salsicha bock, rocambole, rabanete e pepino, tudo produção própria. Estava nascendo Morro Reuter o logo famoso café colonial, também servido nas mesas da Rodoviária e do Turista” [1].
O que nos interessas aqui é que, apesar do tempo, é possível perceber, na descrição acima, o que era oferecido na mesa da família de Mathias SIMON e proveniente dos produtos básicos proveniente dos frutos de terra.
Gramado - RS
Fig. 03 –  O café na colonial

A cultura luso-açoriana foi a base das churrascarias gaúchas, convertidas na sua face comercial por Alberto Bins, outro descendente de origem germânica[1]. Enquanto o GALETO e o VINHO são ingredientes acrescidos pela imigração italiana.
Esta tríade alimentar deu visibilidade e identidade regional ao Rio Grande do Sul. Contudo nunca quis ser hegemônica. Tanto isto é verdade que não há registro de apropriação de qualquer marca hegemônica e abrangentes destes pratos regionais. Ao seu lado formaram-se, em compensação, numerosos outros pratos sul-rio-grandenses com identidade própria, a ponto de concorrerem e complementarem os três mais divulgados. 

MESA ABERTA ao PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO

A mesa do imigrante alemão, tanto pela sua origem cultural como pela falta de preconceitos, abriu-se  aos pratos das mais variadas origens populares. Assim o prato do feijão e arroz,  nas suas mais variadas influências africanas, constitui-se o prato de resistência também do imigrante alemã.


[1] - As churrascarias gaúchas, no formato comercial, surgiram nos pavilhões gastronômicos dos Pavilhões da Exposição Farroupilhas de 1935. O prefeito Alberto Bins teria adaptado  o tradicional churrasco gaúcho a este evento.  A novidade foi prolongada no comércio dos alimentos de Porto Alegre através de churrascarias  como a Cabana dos Santos e Churrascaria Santo Antônio.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Bins  +  Curiosidades A Exposição foi o berço das nossas atuais Churrascarias. A primeira churrascaria crioula de Porto Alegre funcionou no parque em 1935, na Exposição em homenagem ao Centenário da Revolução Farroupilha, idéia do prefeito Alberto Bins. http://lealevalerosa.blogspot.com/2010/05/centenario-da-revolucao-farroupilha.html  e
Círio SIMON
Fig. 04–  Alimentos indígenas

De outra parte o aipim  e o milho nativos - já domesticados pelo indígena brasileiro - foram re-elaborados e incorporados. Assim na descrição acima, do CAFÈ COLONIAL,  é possível destacar os pães de milho e as roscas de polvilho que mergulham a sua origem na contribuição indígena. A isto é possível acrescenta a farinha de mandioca que acompanha o “moquém”[1] indígena. Isto regado pela circulação democrática da cuia de chimarrão antes, durante e após as refeições.
O imigrante aprendeu, com os tropeiros mineiros e paulistas, os pratos como o arroz carreteiro e os demais pratos dos tropeiros.
Mas foi o café brasileiro e erva-mate indígena que lhe propiciaram  tempo e inspiração para pensar e concretizar pratos onde o açúcar, o mel e os produtos lácteos começaram a reinar em especial nos banquetes dos casamentos, festas dos clubes e nas festas domésticas dos “kerbs”[2]. Nestes “kerbs” e festas não poderia faltar a cerveja. Esta consta nas notícias de 1830 que Jean Baptiste DEBRET registrou no Vol. II, p. 138 [3]  da Colônia de São Leopoldo onde “a importação de lúpulo, que alimentava uma fábrica de cerveja: bebida útil que antes era importada da Inglaterra”
receitas d vovó
Fig. 05 –  A mesa dos doces do kerb.

Ninguém defende o ecletismo, muito menos o culinário. Impõem-se cuidados em especial com regimes alimentares desequilibrados e com sério reflexos na saúde da população inadvertida sobre estes riscos.  Os hábitos alimentares contemporâneos alimentos provenientes das identidades nipônicas, árabes, francesas e a chegada massiva e impositiva da indústria alimentar americana com a franquia das suas lojas de alimentos na linha do trabalho taylorista, constituem o cotidiano da alimentação da atual população sul-rio-grandesnes.
Blog do Churrasco
Fig. 06 –  O churrasco autêntico do peão da fazenda do Rio Grande do Sul.

Um aspecto não pode ser omitido é que estes alimentos da terra eram desprezados ou evitados nas mesas das elites. Estas seguiam com rigor a alimentação européia, com a continuada importação dos seus alimentos. Este hábito se acentua na época de festas  em especial de final de ano.
Assim as partes menos nobres das carnes bovinas eram reservado para os peões constituindo a base de churrasco que eram as sobras bovinnas do período coureiro. O mocotó era alimento de subsistência do escravo.
Outro aspecto seriam os calendários de alimentos incluindo os tabus alimentares para certas datas. Assim a sexta-feira, em especial da quaresma, era vedado o consumo de carnes vermelhas


Sintonize as músicas tradicionais alemãs em: